A morte da pirataria e do file sharing
Não é de hoje que se discute o fim da pirataria e do file sharing - distribuição e compartilhamento de arquivos como filmes, músicas e softwares via internet. Os escândalos e processos milionários envolvendo grandes sites e serviços como The Pirate Bay e a indústria fonográfica, cinematográfica e de softwares são tão velhos quanto a internet... E são inúteis.
O file sharing e a chamada "pirataria" não vão morrer. Jamais.
Primeiro, porque essas práticas existem bem antes da internet. Se derem um jeito de foder com a internet, haverão outras formas de continuar copiando e distribuindo e dividindo. Alguém se lembra do quão comum era fazer coletâneas em fita cassete, copiar filmes da locadora em VHS com dois aparelhos de vídeo, tirar xerox de livros inteiros? Nem precisa lembrar - muita gente ainda faz tudo isso, e vai continuar fazendo por muito tempo.
Segundo - se ignorarmos que talvez alguém esteja deixando de lucrar com tudo isso (o que deveria justificar todas as ações judiciais) e irmos além da chamada "ilegalidade", há um simples fato que as grandes empresas "protetoras do direito autoral" parecem esquecer: o file sharing permite ao usuário assistir, ouvir e ler o que ele quiser, na hora em que ele quiser - e de graça. Muito melhor que os métodos "convencionais" , como ouvir rádio ou comprar CDs, assistir televisão ou alugar DVDs e esperar pela boa vontade da editora de publicar o livro X no preço Y no idioma Z. E em nosso mundinho capitalista, toda vez que alguém oferece mais por menos, sai vencedor.
Sites como The Pirate Bay ou o Mininova trazem conveniência e qualidade, utilizam de uma tecnologia perfeitamente adequada e não cobram por isso... basta uma conexão à internet decente e um mínimo de paciência. Dessa ótica mais mercantilista (que supostamente seria a única ótica das corporações atuais), estes sites são como empresas concorrentes, que adotaram uma estratégia visionária para tomar o mercado. E o que a indústria fez? Ao invés de reformular sua própria estratégia e se adaptar a um mercado em mutação, sentou a bunda na cadeira botou seu exército de advogados para trabalhar.
Uncle Lars Ulrich wants you... to keep downloading Metallica´s songs.
Lars Ulrich, conhecido como um dos grandes defensores dos direitos autorais graças ao escândalo com o Napster há alguns anos atrás, disse em entrevista recente que poderá disponibilizar gratuitamente as próximas composições do Metallica em seu site, e afirmou que o modelo atual das gravadoras está ultrapassado: "Nós estamos livres do contrato com a gravadora, então nós podemos voltar ao HQ e gravar algo e então colocar em nosso site para que quem quisesse baixar pudesse baixar" (fonte: Whiplash).
A grande verdade é - a propriedade intelectual nunca existiu. Sempre haverão formas de copiar, recriar e distribuir textos, filmes, livros, músicas, softwares e o diabo a quatro. Os artistas nunca foram donos de suas criações, e a grande maioria deles sempre aceitou isso. Só que estes mesmos artistas sempre dependeram de alguém para colocar seus "filhos" no mundo - uma produtora, editora, gravadora, distribuidora, emissora. Nem é preciso dizer que agora a coisa não funciona mais assim. O que sobra é um bando de velhos com muito dinheiro e zero ideias, herdeiros de um modelo super-hiper-ultrapassado, apavorados enquanto assistem, do topo de seus prédios espelhados, ao nascimento de um futuro inevitável. O file sharing não vai morrer, mas eles vão. Basta dar tempo ao tempo.